Projetos de Pesquisa

Acompanhe os projetos em andamento e clique no + para ler o resumo.

Grandes mudanças marcaram a educação e a sociedade nos últimos anos. Avanços na tecnologia, nas ciências, e consequentes mudanças nas formas de comunicação e expressão são visíveis. Nas escolas, isso pode ser percebido na medida em que uma grande quantidade de grupos que trazem uma variedade cultural antes não tida neste ambiente, passa a se inserir no mesmo. Em meio a esta diversidade, as relações de gênero ganham destaque, tendo em vista que passa a haver uma tensão política quanto às diferentes formas como estas eram concebidas. Antes, de caráter biologicista, as determinantes eram traçadas através das concepções de diferenças existentes a partir do sexo, diferenças estas que limitavam e demarcavam os corpos das crianças. Agora, em meio a um debate pós estruturalista, percebe-se que as relações de gênero são construções sociais, que levam a uma determinada forma de se perceber e conceber o corpo. Nas aulas de Educação Física, em que o corpo ganha atenção e destaque, estas relações ficam ainda mais em voga, tendo em vista que estes corpos disputam um espaço de movimento e representatividade. As relações de gênero são marcadores de construção de identidade e subjetividade, bem como as aulas de Educação Física. Tendo em vista a importância deste tema na contemporaneidade, buscar-se-á, neste trabalho, perceber, à luz da perspectiva das crianças, como se dá a formação desta subjetividade e desta identidade, tomando como ponto de referência a perspectiva da criança com relação às relações criadas.

A pesquisa visa cartografar possíveis linhas de força do campo educacional, particularmente da Educação Física na perspectiva cultural, a partir de uma concepção filosófica deleuzeguattariana denominada esquizoanálise. Entendendo o currículo enquanto um fazer-viver repleto de métodos, procedimentos, princípios éticos-políticos, intencionalidades, subjetividades, que significa certos conhecimentos e experiências para os estudantes e seus corpos, o objetivo aqui é produzir um memorando das linhas de poder (molares, moleculares e de fuga), bem como uma descrição dos acontecimentos e agenciamentos que engendram uma experiência curricular. Sobre a escrita, pensamos que enquanto o vivido vai se tornando memória, esperamos que os conceitos enrijeçam o texto em forma de memorando, destacando o complexo emaranhado de forças e segmentos que atravessarem a cena. Forças tais que, nessa concepção, as vezes impedem uma experiência curricular de ser o que o professor e alunos desejam, outras vezes, potencializam o pensamento e a “escrita-currículo”, criando suas singularidades. Para isso, mergulharemos em um denso trabalho teórico-pragmático da vida-trabalho de um professor, em sua escola, com seus alunos, colegas de profissão, reuniões, cafés, formações, discussões e seus enlances de desejos.

Palavras-chave: Educação Física; Esquizoanálise; Deleuze-Guattari

Esta pesquisa-ação focaliza a Educação Física no contexto da Educação Infantil. Justifica-se pela necessidade da ampliação de estudos e pesquisas sobre a educação de crianças pequenas (0 a 5 anos) acerca das experiências formativas relacionadas à cultura corporal, especialmente, de trabalhos que compreendam as crianças como sujeitos de direitos e produtoras de cultura, bem como, reconheçam a importância da linguagem corporal e das práticas corporais como patrimônio cultural que ganha significações nos diferentes contextos e influenciam a constituição identitária dos sujeitos. Entre os objetivos propostos, estão a intenção de analisar o que revelam as narrativas infantis sobre a relação entre a formação de identidades e cultura corporal, e reconhecer as representações das crianças sobre as práticas corporais tematizadas na instituição de Educação Infantil. O estudo se concentra nos campos teóricos dos Estudos Culturais e do Multiculturalismo Crítico, pretendendo constituir-se como uma intervenção político-pedagógica. Adota uma abordagem qualitativa e terá como lócus duas escolas municipais de São Paulo. Utilizaremos para efeito de registro e produção de dados, instrumentos como diário de bordo, gravador de áudio, câmeras filmadora e fotográfica, celular e outros recursos que permitam registrar todas as etapas previstas no cronograma, principalmente, as narrativas infantis sobre suas próprias aprendizagens no que concerne às práticas corporais na Educação Infantil.  Tomando a infância como campo teórico de natureza interdisciplinar, pretendemos realizar uma análise multirreferencial, mas que considera e dialoga, especialmente, com a teorização pós-crítica. Esperamos produzir uma investigação consistente que evidencie a importância das práticas corporais no contexto da educação infantil e defender o currículo cultural em lugar dos currículos convencionais.

Como suporte de significados, materialidade inserida em uma trama simbólica, o corpo fala. No âmbito da docência, cada professor tem um modo singular de atuar na relação com seus alunos, composto por olhares, gestos, posturas, expressões e ritmos. Trata-se de um conjunto de elementos materializados no aqui e agora de sua corporeidade, mas oriundo de conteúdos e vivências que remetem a um longo e complexo processo de formação identitária. Diante desse quadro, propõe-se documentar a história oral de vida de uma educadora – cujo fazer pedagógico cria contextos que favorecem e celebram a integração das esferas cognitiva, afetiva e motora ao invés de concebê-las em oposição – de modo a buscar compreender o papel do corpo do próprio professor em sua formação e atuação docente. A hipótese de trabalho é que, como um livro vivente, o corpo do professor foi e é continuamente influenciado pelas construções sociais que permeiam sua experiência de vida, trazendo tais marcas para o interior de sua atuação com os alunos. Assim, a análise de uma narrativa autobiográfica pretende compreender as relações entre as experiências vividas e a maneira de atuar na docência, procurando identificar movimentos de ressignificação, reprodução, negação, superação e (re)criação em relação à própria história. Para tanto, tomaremos como referenciais as contribuições de teóricos que pensam a história de vida como lugar de construção de si, bem como daqueles que estudam o corpo como espaço de experiência, identidade e cultura.

O objetivo desse estudo será analisar as experiências pedagógicas de professores de Educação Física Escolar que organizam o seu trabalho pedagógico em uma perspectiva inovadora/renovadora. Para a realização da pesquisa, será organizado um estudo sobre o estado da arte de pesquisas e relatos de experiência que mostraram ações didáticas inovadoras/renovadoras nas aulas do componente no cotidiano escolar. Serão analisados capítulos de livros e livros das editoras brasileiras que publicam obras relacionadas com a Educação Física Escolar e todas as teses de Doutorado e dissertações de Mestrado disponíveis no catálogo da CAPES que versaram sobre a prática pedagógica da Educação Física na escola, entre os anos de 2000 e 2018. Para identificar esses documentos, serão utilizadas as seguintes palavras-chave: Inovação Educacional; Prática Pedagógica; Ações Didáticas; Educação Física Escolar.  Após essa primeira etapa de coleta dos materiais, serão separados os estudos e relatos de experiência que tiverem enfoque com as características relacionadas às novas perspectivas didático-pedagógicas da Educação Física Escolar. Os seguintes temas serão analisados nos textos selecionados: práticas corporais abordadas, conteúdos trabalhados, estratégias de ensino utilizadas, instrumentos de avaliação usados, teorias que embasam a prática pedagógica dos docentes, condicionantes que influenciam a prática pedagógica, ciclos de escolarização das experiências didáticas, métodos e instrumentos de pesquisa empregados e regiões do país em que os projetos educativos foram realizados. A análise dos dados será realizada pela técnica de análise de conteúdo. Pretende-se organizar uma diretriz curricular advinda do cotidiano escolar com as ações didáticas utilizadas pelos docentes de Educação Física que lecionam nas escolas brasileiras.

O currículo culturalmente orientado de Educação Física propõe a formação de uma sociedade mais solidária. Para tanto, se respalda em seus princípios fundantes – que integram a base epistemológica do currículo, naquilo que acreditamos ser seus campos de inspiração – e a organização das atividades de ensino, também chamadas de orientações didáticas. As recentes pesquisas nesse campo apontam para uma prática docente muito bem organizada no que se refere aos procedimentos didáticos, em que pese o mapeamento, as ressignificações, ampliação, aprofundamento e registro. Vale ressaltar que tais procedimentos não são invenções deste currículo. Portanto, o que a distancia dos currículos que o antecederam são os seus campos de inspirações. Desta forma, a avaliação aparece como um procedimento do currículo cultural, porém totalmente desprendida dos preceitos psicobiológicos de aprendizagem. Dito de outra forma, não há sentido em se propor um currículo culturalmente orientado, baseado em campos epistemológicos situados nas teorias pós-críticas se a avaliação ainda permanece em um outro campo teórico. Em sua pesquisa, Bonetto (2016) investigou a relação dos princípios curriculares com as orientações didáticas a partir de seus atores (os próprios docentes). Escudero (2011) investigou como os docentes produzem o significado da prática avaliativa. Isto posto, a presente pesquisa pretende investigar como os pressupostos medulares são mobilizados pelos/as docentes durante suas práticas avaliativas, a partir da observação, entrevistas e análise dos relatos de experiência.

Na sociedade moderna, os sujeitos vêm sendo indicados, classificados, ordenados, hierarquizados e definidos pela aparência de seus corpos a partir dos padrões e referências, das normas, valores e ideais da cultura dominante. Os sujeitos que resistem ou escapam são considerados impróprios, abjetos, sendo discriminados e violentados. Nos últimos anos, professores(as) colocam em ação o currículo cultural de Educação Física, inspirado nos pressupostos dos estudos culturais, do multiculturalismo crítico e, mais recentemente, da teoria queer, tencionando a formação de sujeitos sensíveis à produção da diferença e comprometidos com relações democráticas. Esse compromisso é percebido nos diversos relatos de experiências utilizados como forma de registros e recurso para as discussões, reflexões e análises durante as reuniões do Grupo de Pesquisas em Educação Física escolar da FEUSP. Uma das preocupações desse coletivo é a carência de investigações minuciosas sobre as experiências já realizadas e seus efeitos nos sujeitos da educação. O objetivo do presente projeto é investigar quais as questões que a teorização queer propõe à prática(s) pedagógica(s) do currículo cultural de Educação Física. Será realizada uma bricolagem de métodos de pesquisa utilizando-se a etnografia e entrevistas narrativas. Os materiais produzidos serão analisados mediante o arcabouço teórico dos estudos culturais e a teorização queer.
Comprometido com o desenvolvimento de ações didáticas a favor das diferenças e sintonizadas com as demandas da sociedade contemporânea, o currículo cultural da Educação Física busca inspiração nas teorias pós-críticas para subverter a tradição do componente, valorizar o repertório cultural corporal da comunidade e problematizar os marcadores sociais que perpassam as práticas corporais. Paradoxalmente, tal concepção se fez presente nos documentos curriculares publicados pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo em  2017 e 2019. Surpreende o fato de que uma proposta que se assume contra hegemônica seja incorporada pelo discurso oficial. Enquanto parte dessa política curricular, diversas ações formativas pautadas nos pressupostos teórico-metodológicos que fundamentam a proposta passaram a ser oferecidas em 2018, prosseguiram em 2019 e têm previsão de continuidade para 2020. Embora a literatura sobre o assunto disponibilize diversos trabalhos sobre a perspectiva cultural da Educação Física efetivada por professores simpáticos à proposta, nada se sabe acerca da sua apropriação quando incorporada pelo discurso oficial. Diante disso, o presente estudo tem por objetivo compreender os modos como os docentes de Educação Física que participaram dos cursos de formação oferecidos pela SME-SP significam a perspectiva curricular cultural e traduzem-na para o contexto da prática. Para tanto, serão realizadas entrevistas narrativas com participantes dos cursos de formação com o intuito de produzir relatos das experiências com a proposta. O pós-estruturalismo e a teoria do discurso serão mobilizados no momento das análises desses materiais. Com o presente estudo, espera-se contribuir com o acúmulo de conhecimentos acerca da política curricular e da perspectiva cultural da Educação Física.

Quais as significações que dão sentido à formação docente em Educação Física nos cursos da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)? Esta é a questão central que configura a problemática deste projeto de pesquisa e a tentativa de respondê-la terá em vista o conjunto de circunstâncias e disputas históricas, políticas e epistemológicas em que esses cursos estão inseridos. As ferramentas teóricas com as quais operarei neste trabalho são constituídas pela aproximação entre elementos conceituais propostos pelos Estudos Culturais – especialmente as formulações de Stuart Hall – e algumas temáticas do pensamento foucaultiano. Também buscarei subsídios nas discussões sobre educação, currículo e formação docente que dialogam com esse referencial. A partir de um gesto metodológico e analítico que procurará desfamiliarizar o objeto investigado, tomando-o como um fenômeno do presente e esforçando-se para apreender nele verdades contingentemente produzidas, trabalharei com as seguintes fontes de dados: um recorte da produção acadêmica relativa ao tema investigado, documentos curriculares, atas de reuniões institucionais e depoimentos de professores e alunos.

Nos últimos anos, a partir de ações afirmativas, uma maior presença da cultura africana e afro-brasileira pode ser percebida nas escolas. No Brasil, parte de reivindicações históricas do movimento negro passaram a ser atendidas em âmbito do Poder Publico, para citar alguns exemplos, a lei 10639/2003 (11645/2008), as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnicorraciais e a aprovação do Estatuto de Igualdade Racial. Com a obrigatoriedade das temáticas oriundas de grupos alijados historicamente, faz-se necessária à construção de outros desenhos curriculares nas escolas na busca por identidades mais democráticas. O contexto multicultural e a
diversidade social presente nas escolas hoje possibilitam aos professores mais sensíveis a temática das relações etnicorraciais, sobretudo nas aulas de educação física, componente curricular que historicamente tem em suas atividades práticas corporais de origem europeias ou estadosunidenses. Na literatura, no cotidiano escolar, em diálogos com colegas de profissão, em espaços de debate, congressos, seminários, percebemos que as práticas corporais de matriz cultural africana e afro-brasileira quando tematizadas nas aulas de educação física proporcionam debates pautados em sua maioria em questões atreladas as diferenças, assim com esse projeto temos como objetivo verificar qual a influência na construção das representações e na produção das identidades dos estudantes nas aulas de educação física a partir da tematização de manifestações culturais de matriz africana e afro-brasileira?