Projetos de Pesquisa

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A pesquisa visa cartografar possíveis linhas de força do campo educacional, particularmente da Educação Física na perspectiva cultural, a partir de uma concepção filosófica deleuzeguattariana denominada esquizoanálise. Entendendo o currículo enquanto um fazer-viver repleto de métodos, procedimentos, princípios éticos-políticos, intencionalidades, subjetividades, que significa certos conhecimentos e experiências para os estudantes e seus corpos, o objetivo aqui é produzir um memorando das linhas de poder (molares, moleculares e de fuga), bem como uma descrição dos acontecimentos e agenciamentos que engendram uma experiência curricular. Sobre a escrita, pensamos que enquanto o vivido vai se tornando memória, esperamos que os conceitos enrijeçam o texto em forma de memorando, destacando o complexo emaranhado de forças e segmentos que atravessarem a cena. Forças tais que, nessa concepção, as vezes impedem uma experiência curricular de ser o que o professor e alunos desejam, outras vezes, potencializam o pensamento e a “escrita-currículo”, criando suas singularidades. Para isso, mergulharemos em um denso trabalho teórico-pragmático da vida-trabalho de um professor, em sua escola, com seus alunos, colegas de profissão, reuniões, cafés, formações, discussões e seus enlances de desejos.

Palavras-chave: Educação Física; Esquizoanálise; Deleuze-Guattari

Por meio de operadores conceituais e metodológicos advindos da perspectiva foucaultiana, e tomando como corpus de pesquisa algumas obras que fundamentam a pedagogia cultural da educação física, bem como os relatos de experiência elaborados pelos docentes que afirmam colocar a proposta em ação, o propósito central deste estudo consiste em analisar os regimes de verdade e a governamentalidade em voga na prática pedagógica em questão, que implicam em modos específicos de objetivação e subjetivação.

Palavras-chave: educação física. regimes de verdade. governamentalidade. subjetividade.

Esta pesquisa-ação focaliza a Educação Física no contexto da Educação Infantil. Justifica-se pela necessidade da ampliação de estudos e pesquisas sobre a educação de crianças pequenas (0 a 5 anos) acerca das experiências formativas relacionadas à cultura corporal, especialmente, de trabalhos que compreendam as crianças como sujeitos de direitos e produtoras de cultura, bem como, reconheçam a importância da linguagem corporal e das práticas corporais como patrimônio cultural que ganha significações nos diferentes contextos e influenciam a constituição identitária dos sujeitos. Entre os objetivos propostos, estão a intenção de analisar o que revelam as narrativas infantis sobre a relação entre a formação de identidades e cultura corporal, e reconhecer as representações das crianças sobre as práticas corporais tematizadas na instituição de Educação Infantil. O estudo se concentra nos campos teóricos dos Estudos Culturais e do Multiculturalismo Crítico, pretendendo constituir-se como uma intervenção político-pedagógica. Adota uma abordagem qualitativa e terá como lócus duas escolas municipais de São Paulo. Utilizaremos para efeito de registro e produção de dados, instrumentos como diário de bordo, gravador de áudio, câmeras filmadora e fotográfica, celular e outros recursos que permitam registrar todas as etapas previstas no cronograma, principalmente, as narrativas infantis sobre suas próprias aprendizagens no que concerne às práticas corporais na Educação Infantil.  Tomando a infância como campo teórico de natureza interdisciplinar, pretendemos realizar uma análise multirreferencial, mas que considera e dialoga, especialmente, com a teorização pós-crítica. Esperamos produzir uma investigação consistente que evidencie a importância das práticas corporais no contexto da educação infantil e defender o currículo cultural em lugar dos currículos convencionais.

Como suporte de significados, materialidade inserida em uma trama simbólica, o corpo fala. No âmbito da docência, cada professor tem um modo singular de atuar na relação com seus alunos, composto por olhares, gestos, posturas, expressões e ritmos. Trata-se de um conjunto de elementos materializados no aqui e agora de sua corporeidade, mas oriundo de conteúdos e vivências que remetem a um longo e complexo processo de formação identitária. Diante desse quadro, propõe-se documentar a história oral de vida de uma educadora – cujo fazer pedagógico cria contextos que favorecem e celebram a integração das esferas cognitiva, afetiva e motora ao invés de concebê-las em oposição – de modo a buscar compreender o papel do corpo do próprio professor em sua formação e atuação docente. A hipótese de trabalho é que, como um livro vivente, o corpo do professor foi e é continuamente influenciado pelas construções sociais que permeiam sua experiência de vida, trazendo tais marcas para o interior de sua atuação com os alunos. Assim, a análise de uma narrativa autobiográfica pretende compreender as relações entre as experiências vividas e a maneira de atuar na docência, procurando identificar movimentos de ressignificação, reprodução, negação, superação e (re)criação em relação à própria história. Para tanto, tomaremos como referenciais as contribuições de teóricos que pensam a história de vida como lugar de construção de si, bem como daqueles que estudam o corpo como espaço de experiência, identidade e cultura.

Nos últimos anos a educação brasileira, juntamente com a sociedade vem passando por grandes transformações. Na escola, essas mudanças podem ser observadas principalmente pela grande diversidade dos grupos culturais que estão adentrando as escolas. A partir dessas mudanças, temos o currículo como fonte das disputas de diferentes grupos como forma de legitimar seus saberes. Nesta luta política, o currículo se configura como um artefato cultural importante. Na Educação de Jovens e Adultos, que tem suas raízes na educação popular, e que, portanto, valoriza os conhecimentos de vida dos seus estudantes, estamos em um momento em que o atual currículo de Educação Física vem distanciando o componente curricular das aulas nessa modalidade de ensino. Para fomentar essa discussão, o presente projeto de pesquisa apresenta a possibilidade de analisar as possíveis contribuições de um currículo cultural de EF na EJA, tentando construir novas possibilidades de trabalhos com esses estudantes. Tendo em vista a diversidade do público dessa modalidade de ensino, um trabalho ancorado no currículo cultural de Educação Física almeja contribuir com a formação de sujeitos críticos e sensíveis á diversidade valorizando os saberes e conhecimentos dos estudantes. Para a realização da pesquisa será utilizado a bricolagem, que é um modo de investigação multimetodológico proposto por Kincheloe e Berry (2007) e no momento da análise dos dados coletados será utilizada a hermenêutica crítica proposta por Kincheloe (2007).

O presente projeto busca analisar a partir dos referenciais foucaultianos e estudos sobre agrupamentos mistos na Educação Infantil os efeitos gerados pela multietariedade nas relações entre as crianças e os discursos produzidos por elas a partir dessa experiência. Dispositivos disciplinares variados como a arquitetura, atividades e horários regulados, o controle da gestualidade, os espaços destinados para as crianças, a seriação e a distribuição das crianças em grupos homogêneos pelos ambientes disponíveis, são recursos adotados para a educação dos corpos infantis, impingindo marcas e ditando maneiras apropriadas de comportamento e conduta desde o ingresso dos meninos e meninas na instituição educativa. Assim sendo, a partir do momento em que as crianças são divididas pela proximidade de idade na escola, visando o controle e disciplinarização por parte dos professores, criam-se relações etárias hierárquicas, obedecendo à lógica da segregação. Diante disso, o acompanhamento dos efeitos nas crianças de uma experiência que subverta essa estrutura poderá fornecer elementos interessantes para repensar a organização da instituição de Educação Infantil.

A diversidade cultural impõe novas responsabilidades à escola. Longe de constituir-se em obstáculo ou problema, o convívio com as diferenças é uma riqueza. A existência de pessoas com variadas heranças culturais no mesmo espaço obriga a escola a elaborar um currículo que reconheça as diferentes culturas. Em geral, a pertença a um determinado grupo faz-se acompanhar de especificidades que moldam a sua identidade cultural. Dentre as inúmeras formas, as diferenças culturais se expressam também pelos textos produzidos pelas manifestações da cultura corporal. Comumente, o repertório de gestos e práticas corporais cultivados nas comunidades populares é desvalorizado pelos currículos hegemônicos. Tal quadro ocasiona descompasso, afastamento e resistência por parte dos alunos, ou fixação distorcida de signos de classe, etnia e gênero presentes nas brincadeiras, danças, lutas, ginásticas e esportes tradicionalmente privilegiados na escola. Atentos à problemática, um grupo de docentes atuantes nas redes públicas da região metropolitana de São Paulo têm cotidianamente colocado em ação uma proposta sensível às diferenças culturais e comprometida com a formação de identidades democráticas, o denominado currículo cultural da Educação Física. O presente projeto objetiva reconhecer suas principais características por meio da interpretação da produção discursiva dos professores acerca da própria prática. Com o apoio nos conceitos dos Estudos Culturais, do multiculturalismo crítico e da teorização curricular do componente, recorrer-se-á a uma bricolagem entre a pesquisa descritiva e a entrevista narrativa. A hermenêutica crítica inspirará as interpretações do material recolhido e seu entretecimento.

Palavras-chave: Currículo; Educação Física; Cultura; Estudos Culturais; Multiculturalismo

Nas últimas décadas a sociedade sofreu várias transformações devido à globalização.  É possível identificar diferentes efeitos em todas as esferas que compõem o cenário mundial. Na escola, constata-se a presença, cada dia maior, da diversidade cultural no seu interior, ao contrário do que se pensa, este fator se efetiva com aspectos positivos. Nesta luta política, o currículo se configura como um artefato cultural importante no interior da cultura. Como texto e discurso. Nele se forjam identidades. É por meio dele que determinados saberes são reconhecidos enquanto outros ficam à margem. Nos últimos anos, docentes engajados em uma educação democrática não medem esforços para construir uma proposta onde todas as culturas sejam reconhecidas dentro do currículo e em especial nas aulas de Educação Física escolar. Influenciados pelo movimento teórico dos Estudos Culturais e do multiculturalismo crítico começaram artistar um currículo para o componente Educação Física visando o atendimento às demandas da sociedade pós-moderna. Trata-se do currículo cultural. Desde então, diferentes trabalhos vêm sendo desenvolvidos na tentativa de se concretizar uma educação democrática, em que as práticas corporais que coexistem na sociedade, bem como seus representantes sejam reconhecidos. Empregados como forma de registro e como recursos para reflexão durante as reuniões do Grupo de Pesquisas em Educação Física escolar da FEUSP, nos relatos de experiência produzidos os docentes afirmam que o currículo cultural influencia na constituição de diferentes subjetividades, formando sujeitos críticos, participativos e comprometidos com a partilha pública. O presente projeto pretende investigar os fundamentos de tais afirmações mediante a identificação dos possíveis efeitos do currículo cultural da Educação Física na subjetividade de seus sujeitos. Como procedimentos metodológicos será utilizada a bricolagem e a etnografia, e no momento da análise dos dados coletados será utilizada a hermenêutica crítica.

Palavras chave: Educação Física, Currículo, Subjetividade

Com as profundas transformações que marcaram o século XX o mundo entrou em uma nova era, tendo sido a globalização fator decisivo neste processo. Neste âmbito global onde as fronteiras se hibridizam, a questão de identidade vem sendo extensamente discutida na teoria social, aparecendo com muita força no campo da educação, reverberando assim, discussões em diferentes componentes curriculares, inclusive na Educação Física escolar. Neste contexto, o presente projeto tem como objetivo investigar como os professores de Educação Física da rede escolar SESI-SP abordam as diferenças culturais na prática cotidiana das aulas. Para o desenvolvimento do mesmo, utilizaremos a bricolagem como proposta metodológica, tendo a hermenêutica crítica como suporte para a interpretação dos resultados.

Quais as significações que dão sentido à formação docente em Educação Física nos cursos da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)? Esta é a questão central que configura a problemática deste projeto de pesquisa e a tentativa de respondê-la terá em vista o conjunto de circunstâncias e disputas históricas, políticas e epistemológicas em que esses cursos estão inseridos. As ferramentas teóricas com as quais operarei neste trabalho são constituídas pela aproximação entre elementos conceituais propostos pelos Estudos Culturais – especialmente as formulações de Stuart Hall – e algumas temáticas do pensamento foucaultiano. Também buscarei subsídios nas discussões sobre educação, currículo e formação docente que dialogam com esse referencial. A partir de um gesto metodológico e analítico que procurará desfamiliarizar o objeto investigado, tomando-o como um fenômeno do presente e esforçando-se para apreender nele verdades contingentemente produzidas, trabalharei com as seguintes fontes de dados: um recorte da produção acadêmica relativa ao tema investigado, documentos curriculares, atas de reuniões institucionais e depoimentos de professores e alunos.

Nos últimos anos, a partir de ações afirmativas, uma maior presença da cultura africana e afro-brasileira pode ser percebida nas escolas. No Brasil, parte de reivindicações históricas do movimento negro passaram a ser atendidas em âmbito do Poder Publico, para citar alguns exemplos, a lei 10639/2003 (11645/2008), as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnicorraciais e a aprovação do Estatuto de Igualdade Racial. Com a obrigatoriedade das temáticas oriundas de grupos alijados historicamente, faz-se necessária à construção de outros desenhos curriculares nas escolas na busca por identidades mais democráticas. O contexto multicultural e a
diversidade social presente nas escolas hoje possibilitam aos professores mais sensíveis a temática das relações etnicorraciais, sobretudo nas aulas de educação física, componente curricular que historicamente tem em suas atividades práticas corporais de origem europeias ou estadosunidenses. Na literatura, no cotidiano escolar, em diálogos com colegas de profissão, em espaços de debate, congressos, seminários, percebemos que as práticas corporais de matriz cultural africana e afro-brasileira quando tematizadas nas aulas de educação física proporcionam debates pautados em sua maioria em questões atreladas as diferenças, assim com esse projeto temos como objetivo verificar qual a influência na construção das representações e na produção das identidades dos estudantes nas aulas de educação física a partir da tematização de manifestações culturais de matriz africana e afro-brasileira?

Atualmente, passamos por uma expansão de vagas na escola de tempo integral decorrente do Plano Nacional de educação que prevê a oferta dessa jornada estendida para metade dos alunos matriculados na rede pública até 2020. Esta diretriz requer grandes esforços e recursos que devem partir da reflexão sobre as finalidades da escola de tempo integral. Dentre as várias propostas de educação de tempo integral em construção nos estados e municípios brasileiros, muitas carecem de diretrizes claras e de pressupostos teóricos para elaboração do seu currículo. Independente do momento histórico, da abordagem pedagógica ou das intenções políticas, as propostas de educação em tempo integral no Brasil geralmente contemplam os conhecimentos da Educação Física, não raro, como forma de expansão da jornada do aluno. Partindo do pressuposto que o currículo do componente vem se transformando mediante o diálogo com a função social da escola, o presente estudo pretende analisar suas características nas escolas públicas de tempo integral da cidade de São Paulo.  A metodologia adotada entrelaçará a análise documental e o estudo de caso do tipo etnográfico baseado na significação do material coletado através da observação, análise de documentos pedagógicos e entrevistas com gestores, docentes e alunos.

Palavras-chave: Currículo; Educação Integral; Educação Física.

O presente projeto busca compreender os efeitos dos torneios esportivos na constituição identitária dos estudantes que participam ou não desse programa educacional. Após encontrar uma unidade educacional pública que contém essa atividade, a pesquisa do tipo etnográfico será usada, estruturada pelas técnicas de observação participante, a entrevista intensiva e a análise documental. Sendo assim, entrevistarei estudantes inseridos nas aulas/treinos e estudantes excluídos por deficiência técnica a fim de identificar as representações frente às competições esportivas e as próprias turmas de treinamento, além de analisar os efeitos dessa exclusão sobre a construção da identidade dos/as educandos/as desprovidos de técnica. Em tal empreitada, objetivo analisar os dados encontrados a partir da hermenêutica critica (Kincheloe e Berry, 2007; Denzin e Lincoln, 2006) ancorado pelas contribuições que o campo dos Estudos Culturais (Giroux, 1995; Nelson et. al., 1995; Hall, 2006; Neira e Nunes, 2009; Woodward, 2014) tem oferecido sobre investigação e interpretação da construção das identidades dos sujeitos.

Palavras chaves: Identidade, Esporte Escolar, Turmas de Treinamento, Currículo e Estudos Culturais.